João MacielHolding Familiar
Inventário

Quanto custa um inventário no Brasil em 2026?

2 de junho de 20268 min de leituraJoão Maciel

O inventário pode consumir entre 20% e 50% do patrimônio total de uma família, somados impostos, honorários e taxas. Esse percentual tende a crescer nos próximos anos: Paraná e São Paulo estão migrando para alíquotas progressivas de ITCMD que podem chegar a 8% — e há projetos no Senado que elevam esse teto a 40%. Entender cada custo envolvido é o primeiro passo para decidir se vale a pena chegar a esse ponto — ou planejar antes.

Composição do custo de um inventário Patrimônio de R$ 2 milhões — estimativa orientativa total estimado ~R$ 467k ≈ 23% do patrimônio ITCMD Imposto estadual sobre herança 34% · ~R$ 160.000 Honorários Advocatícios (OAB-PR/SP) 43% · ~R$ 200.000 Custas Cartorárias ou judiciais 13% · ~R$ 60.000 Despesas auxiliares Avaliações, certidões, ITBI 10% · ~R$ 47.000 * Valores estimados. Variam conforme estado, patrimônio e complexidade do caso.

O que compõe o custo total de um inventário

O inventário não tem uma única conta. Ele soma pelo menos quatro categorias de despesas, todas obrigatórias e todas calculadas — em geral — sobre o valor do patrimônio inventariado.

1. ITCMD: o imposto sobre a herança está mudando

O ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) é o custo mais significativo na maioria dos casos. Trata-se de um imposto estadual que incide sobre o valor total dos bens transmitidos.

Até recentemente, Paraná e São Paulo adotavam alíquota fixa de 4%. Isso está mudando. Ambos os estados estão adotando alíquotas progressivas que podem chegar a 8%, seguindo tendência nacional acelerada pela reforma tributária.

O risco para os próximos anos é maior ainda: o Senado Federal fixa o teto máximo do ITCMD, e há projetos em tramitação que podem elevar esse limite para 40% — aprovados por maioria simples. Não é um cenário hipotético distante; é uma janela legislativa aberta.

A alíquota atual nos demais estados já varia entre 2% e 8%. Em um patrimônio de R$ 2 milhões, o ITCMD pode representar entre R$ 80.000 e R$ 160.000 — apenas de imposto, antes de qualquer honorário ou taxa.

Atenção: o inventário precisa ser aberto em até 60 dias após o falecimento. O atraso gera multa sobre o valor do ITCMD, que pode chegar a 20% do imposto devido, dependendo da legislação estadual.

2. Honorários advocatícios

A presença de um advogado é obrigatória por lei em ambas as modalidades de inventário — judicial e extrajudicial. Não existe inventário sem advogado.

Os honorários seguem as tabelas da OAB de cada estado, com variação conforme a complexidade do caso:

Modalidade Percentual sugerido (OAB-PR/SP) Mínimo em R$
Extrajudicial 6% do patrimônio ~R$ 4.000
Judicial sem litígio 6% a 10% ~R$ 5.500
Judicial com litígio 10% a 20% ~R$ 5.500

Em um patrimônio de R$ 2 milhões, os honorários podem variar entre R$ 120.000 e R$ 400.000, dependendo do grau de conflito entre os herdeiros.

3. Custas judiciais e emolumentos cartorários

Inventário extrajudicial (cartório):

  • Realizado em Cartório de Notas
  • Possível apenas quando todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo
  • Os emolumentos são tabelados por estado e calculados sobre o valor do patrimônio
  • Mais rápido do que a via judicial — mas igualmente caro no que diz respeito ao ITCMD e aos honorários

Inventário judicial:

  • Necessário quando há herdeiros menores, incapazes ou em conflito
  • As custas processuais variam conforme o tribunal e o valor dos bens
  • Em São Paulo, podem ir de R$ 370 a mais de R$ 111.000 apenas em custas processuais

4. Despesas auxiliares

Além dos três blocos principais, surgem custos que se somam:

  • Avaliação de imóveis e empresas: necessária quando o valor declarado é questionado pela Receita Estadual
  • Certidões e documentação: CCIR, CAR, certidões negativas de débitos, registros atualizados
  • ITBI (nas transferências de imóveis): pode incidir dependendo da estrutura da partilha
  • Eventuais perícias e laudos judiciais: nos inventários litigiosos

Inventário judicial x extrajudicial: qual é mais barato?

O inventário extrajudicial é mais rápido — mas não necessariamente mais barato. O ITCMD e os honorários advocatícios incidem nas duas modalidades. A diferença real está nas custas processuais e no tempo.

Extrajudicial Judicial
Prazo médio 30 a 90 dias 2 a 5 anos
Custo total tendencial Alto Muito alto
Requisitos Consenso entre herdeiros maiores e capazes Qualquer situação
Onde ocorre Cartório de Notas Vara de Família ou Sucessões

O inventário extrajudicial exige condições que nem sempre existem: herdeiros de acordo, sem menores envolvidos, documentação completa e em ordem. Qualquer desvio empurra o processo para a via judicial — e o custo sobe ainda mais.


Quanto tempo dura um inventário no Brasil?

De acordo com dados do CNJ, mais de 250 mil processos de inventário e partilha tramitam simultaneamente no Judiciário brasileiro. O tempo médio até uma sentença de primeira instância é de dois anos — sem contar recursos.

Na prática, inventários judiciais com conflito entre herdeiros ou patrimônio complexo podem durar 5 a 10 anos. Nesse período:

  • Os bens ficam bloqueados ou com restrições de uso e venda
  • Custos jurídicos continuam acumulando
  • A família permanece em estado de incerteza patrimonial

O inventário extrajudicial em condições ideais pode ser concluído em 30 a 90 dias — mas continua sendo um processo caro, que ocorre no pior momento da família.


O custo que não aparece na planilha: o impacto emocional

O processo de inventário coincide com o luto. A família precisa tomar decisões patrimoniais relevantes no pior momento emocional possível.

Quando há divergências sobre a partilha — quem fica com o imóvel, o que fazer com a empresa familiar, como dividir o que não é divisível — o processo pode se tornar um gerador de conflito entre irmãos, cônjuges e herdeiros que antes tinham boa relação.

Os litígios surgem não apenas por ganância. Surgem por falta de clareza, por ausência de um plano previamente estabelecido. E uma vez iniciado o conflito judicial, o custo financeiro e emocional cresce de forma desproporcional.


Existe uma alternativa ao inventário?

Sim. O planejamento patrimonial feito em vida — especialmente por meio de uma holding familiar — permite transferir o patrimônio aos herdeiros com muito mais eficiência, menor custo tributário e sem passar pelo processo de inventário.

Na estrutura de holding familiar, os bens são integralizados na pessoa jurídica em vida. A sucessão ocorre por transferência de cotas societárias, com regras definidas previamente no contrato social e acordo de sócios — sem Judiciário, sem prazo aberto e sem briga entre herdeiros.

Os custos de estruturação são significativamente menores do que os de um inventário sobre o mesmo patrimônio. A economia não raro supera 90% do valor que seria gasto no inventário — e o processo é conduzido enquanto a família ainda está unida e capaz de tomar decisões com clareza.

Com a mudança nas alíquotas de ITCMD em curso, a janela para estruturar esse planejamento com menor custo tributário está se fechando.


Conclusão

O inventário é caro, demorado e emocionalmente desgastante — e está ficando mais caro com as novas alíquotas progressivas de ITCMD. Se você não planejar o patrimônio da sua família, é certo que o inventário irá acontecer. A pergunta é se você agirá a tempo de evitá-lo, ou se vai deixar que sua família o enfrente no pior momento possível.


O Dr. João Eduardo Maciel assessora famílias no sul do Brasil na estruturação de holdings familiares e planejamento patrimonial. Saiba se sua família precisa de uma holding familiar — e quanto economizaria ao organizar o patrimônio hoje, antes que o inventário se torne inevitável. Saiba mais →

João Maciel

Sobre o autor

João Maciel

Advogado especialista em planejamento patrimonial familiar, com atuação focada em famílias proprietárias de imóveis e negócios no Paraná. Estruturou holdings familiares que economizaram mais de R$ 400 milhões em impostos e taxas de inventário para seus clientes.

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