Quanto custa um inventário no Brasil em 2026?
O inventário pode consumir entre 20% e 50% do patrimônio total de uma família, somados impostos, honorários e taxas. Esse percentual tende a crescer nos próximos anos: Paraná e São Paulo estão migrando para alíquotas progressivas de ITCMD que podem chegar a 8% — e há projetos no Senado que elevam esse teto a 40%. Entender cada custo envolvido é o primeiro passo para decidir se vale a pena chegar a esse ponto — ou planejar antes.
O que compõe o custo total de um inventário
O inventário não tem uma única conta. Ele soma pelo menos quatro categorias de despesas, todas obrigatórias e todas calculadas — em geral — sobre o valor do patrimônio inventariado.
1. ITCMD: o imposto sobre a herança está mudando
O ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) é o custo mais significativo na maioria dos casos. Trata-se de um imposto estadual que incide sobre o valor total dos bens transmitidos.
Até recentemente, Paraná e São Paulo adotavam alíquota fixa de 4%. Isso está mudando. Ambos os estados estão adotando alíquotas progressivas que podem chegar a 8%, seguindo tendência nacional acelerada pela reforma tributária.
O risco para os próximos anos é maior ainda: o Senado Federal fixa o teto máximo do ITCMD, e há projetos em tramitação que podem elevar esse limite para 40% — aprovados por maioria simples. Não é um cenário hipotético distante; é uma janela legislativa aberta.
A alíquota atual nos demais estados já varia entre 2% e 8%. Em um patrimônio de R$ 2 milhões, o ITCMD pode representar entre R$ 80.000 e R$ 160.000 — apenas de imposto, antes de qualquer honorário ou taxa.
Atenção: o inventário precisa ser aberto em até 60 dias após o falecimento. O atraso gera multa sobre o valor do ITCMD, que pode chegar a 20% do imposto devido, dependendo da legislação estadual.
2. Honorários advocatícios
A presença de um advogado é obrigatória por lei em ambas as modalidades de inventário — judicial e extrajudicial. Não existe inventário sem advogado.
Os honorários seguem as tabelas da OAB de cada estado, com variação conforme a complexidade do caso:
| Modalidade | Percentual sugerido (OAB-PR/SP) | Mínimo em R$ |
|---|---|---|
| Extrajudicial | 6% do patrimônio | ~R$ 4.000 |
| Judicial sem litígio | 6% a 10% | ~R$ 5.500 |
| Judicial com litígio | 10% a 20% | ~R$ 5.500 |
Em um patrimônio de R$ 2 milhões, os honorários podem variar entre R$ 120.000 e R$ 400.000, dependendo do grau de conflito entre os herdeiros.
3. Custas judiciais e emolumentos cartorários
Inventário extrajudicial (cartório):
- Realizado em Cartório de Notas
- Possível apenas quando todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo
- Os emolumentos são tabelados por estado e calculados sobre o valor do patrimônio
- Mais rápido do que a via judicial — mas igualmente caro no que diz respeito ao ITCMD e aos honorários
Inventário judicial:
- Necessário quando há herdeiros menores, incapazes ou em conflito
- As custas processuais variam conforme o tribunal e o valor dos bens
- Em São Paulo, podem ir de R$ 370 a mais de R$ 111.000 apenas em custas processuais
4. Despesas auxiliares
Além dos três blocos principais, surgem custos que se somam:
- Avaliação de imóveis e empresas: necessária quando o valor declarado é questionado pela Receita Estadual
- Certidões e documentação: CCIR, CAR, certidões negativas de débitos, registros atualizados
- ITBI (nas transferências de imóveis): pode incidir dependendo da estrutura da partilha
- Eventuais perícias e laudos judiciais: nos inventários litigiosos
Inventário judicial x extrajudicial: qual é mais barato?
O inventário extrajudicial é mais rápido — mas não necessariamente mais barato. O ITCMD e os honorários advocatícios incidem nas duas modalidades. A diferença real está nas custas processuais e no tempo.
| Extrajudicial | Judicial | |
|---|---|---|
| Prazo médio | 30 a 90 dias | 2 a 5 anos |
| Custo total tendencial | Alto | Muito alto |
| Requisitos | Consenso entre herdeiros maiores e capazes | Qualquer situação |
| Onde ocorre | Cartório de Notas | Vara de Família ou Sucessões |
O inventário extrajudicial exige condições que nem sempre existem: herdeiros de acordo, sem menores envolvidos, documentação completa e em ordem. Qualquer desvio empurra o processo para a via judicial — e o custo sobe ainda mais.
Quanto tempo dura um inventário no Brasil?
De acordo com dados do CNJ, mais de 250 mil processos de inventário e partilha tramitam simultaneamente no Judiciário brasileiro. O tempo médio até uma sentença de primeira instância é de dois anos — sem contar recursos.
Na prática, inventários judiciais com conflito entre herdeiros ou patrimônio complexo podem durar 5 a 10 anos. Nesse período:
- Os bens ficam bloqueados ou com restrições de uso e venda
- Custos jurídicos continuam acumulando
- A família permanece em estado de incerteza patrimonial
O inventário extrajudicial em condições ideais pode ser concluído em 30 a 90 dias — mas continua sendo um processo caro, que ocorre no pior momento da família.
O custo que não aparece na planilha: o impacto emocional
O processo de inventário coincide com o luto. A família precisa tomar decisões patrimoniais relevantes no pior momento emocional possível.
Quando há divergências sobre a partilha — quem fica com o imóvel, o que fazer com a empresa familiar, como dividir o que não é divisível — o processo pode se tornar um gerador de conflito entre irmãos, cônjuges e herdeiros que antes tinham boa relação.
Os litígios surgem não apenas por ganância. Surgem por falta de clareza, por ausência de um plano previamente estabelecido. E uma vez iniciado o conflito judicial, o custo financeiro e emocional cresce de forma desproporcional.
Existe uma alternativa ao inventário?
Sim. O planejamento patrimonial feito em vida — especialmente por meio de uma holding familiar — permite transferir o patrimônio aos herdeiros com muito mais eficiência, menor custo tributário e sem passar pelo processo de inventário.
Na estrutura de holding familiar, os bens são integralizados na pessoa jurídica em vida. A sucessão ocorre por transferência de cotas societárias, com regras definidas previamente no contrato social e acordo de sócios — sem Judiciário, sem prazo aberto e sem briga entre herdeiros.
Os custos de estruturação são significativamente menores do que os de um inventário sobre o mesmo patrimônio. A economia não raro supera 90% do valor que seria gasto no inventário — e o processo é conduzido enquanto a família ainda está unida e capaz de tomar decisões com clareza.
Com a mudança nas alíquotas de ITCMD em curso, a janela para estruturar esse planejamento com menor custo tributário está se fechando.
Conclusão
O inventário é caro, demorado e emocionalmente desgastante — e está ficando mais caro com as novas alíquotas progressivas de ITCMD. Se você não planejar o patrimônio da sua família, é certo que o inventário irá acontecer. A pergunta é se você agirá a tempo de evitá-lo, ou se vai deixar que sua família o enfrente no pior momento possível.
O Dr. João Eduardo Maciel assessora famílias no sul do Brasil na estruturação de holdings familiares e planejamento patrimonial. Saiba se sua família precisa de uma holding familiar — e quanto economizaria ao organizar o patrimônio hoje, antes que o inventário se torne inevitável. Saiba mais →

Sobre o autor
João Maciel
Advogado especialista em planejamento patrimonial familiar, com atuação focada em famílias proprietárias de imóveis e negócios no Paraná. Estruturou holdings familiares que economizaram mais de R$ 400 milhões em impostos e taxas de inventário para seus clientes.
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